Publicado em: dom, maio , 2017

Serial Killer de Goiás escreve livro e vereador quer boicote da sociedade


O vereador Delegado Eduardo Prado (PV) lançou uma campanha para promover um boicote ao livro que escrito pelo serial killer de Goiânia Tiago Henrique Gomes da Rocha, de 29 anos. Segundo o parlamentar, o lançamento da publicação, previsto para junho, além de causar sofrimento aos familiares das vítimas, mostra uma “inversão de valores da sociedade”.

Tiago responde a mais de 30 homicídios e já foi condenado em 28 júris populares a mais de 650 anos de prisão. O livro terá o título “Tiago Rocha: Um pouco da história por trás de um serial killer” e falará sobre os crimes cometidos e sua conversão espiritual. Para escrever, ele contou com o apoio do padre Luiz Augusto Ferreira da Silva, apontado como servidor fantasma da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego).

Atualmente licenciado do cargo de delegado, Prado atuou enquanto investigador na força-tarefa que investigou os crimes do vigilante. Ele disse ao G1 que os assassinatos não podem ser motivo para o acusado “ganhar dinheiro em cima do sofrimento alheio”.

“Ele não pode ser ovacionado. Isso é uma inversão de valores. Por isso o Brasil está vivendo desse jeito. Tem que colocar cada um em seu lugar”, afirmou.

O vereador ressaltou que todos têm o direito constitucional de expressar a livre manifestação do pensamento. Porém, acredita escrever o livro serve somente para massagear o ego de Tiago, além de trazer sofrimento às famílias que tiveram entes mortos por ele.

“Não vou discutir aqui a questão da conversão religiosa dele. Mas eu questiono essa espetacularização, que mexe com o que o psicopata mais gosta, que é a vaidade. Esse livro nada mais é que expor as famílias que sofreram com esses crimes bárbaros. Ele não pode sair como herói destes fatos que tomaram repercussão mundial”, pontua.

Repercussão na web

O vereador postou um vídeo em suas redes sociais falando sobre a proposta de boicote. Nele, afirma que já colheu o depoimento de Tiago por três vezes na época das investigações e que em todas ele revelou que “tinha prazer em matar”.

O político destacou ainda que ficou “20 dias sem dormir” na época da investigação e criticou: “Eu acredito que nós não tenhamos que dar muita publicidade a esse fato e tampouco adquirir esse livro”.

Prado contou que recebeu mais de 15 mil mensagens depois que iniciou a campanha. Segundo ele, uma maioria esmagadora concorda com o seu pensamento.

“Dos retornos que recebei, 99,9% concordam com o boicote porque acham essa situação dele expor como matava as pessoas é um absurdo. Algumas outras poucas disseram que ele tem o direito de mostrar os motivos que o levaram a matar”, detalha.

Famílias lamentam

A capa do livro possui um homem em uma moto – uma alusão a Tiago, que, geralmente, usava o veículo para cometer os homicídios. A notícia da publicação deixou as famílias das vítimas revoltadas.

O mecânico Francisco Carvalho é pai de Arlete dos santos, de 16 anos, morta por Tiago com um tiro no peito. Ele diz que não consegue entender como o livro será publicado.

“Para mim, não vai trazer benefício nenhum, só mais tristeza. Não aceito, não. Para mim, é tocar na minha ferida a cada dia”, lamenta.

A morte de Arlete ocorreu no dia 28 de janeiro de 2014, quando a adolescente voltava para casa a pé depois de visitar uma amiga. Em uma moto, Tiago abordou a vítima, a matou e fugiu sem levar nada. Por este crime, ele foi condenado a 20 anos de prisão.

Padre

Diante da repercussão, o padre emitiu uma nota nas redes sociais lamentando que o lançamento do livro fosse apontado como “algo absurdo”. Pontuou ainda que a obra é feita exclusivamente por Tiago e que ele vai ao presídio para “evangelizar e não concordar com os crimes cometidos”.

Luiz Augusto afirmou também que a ideia da publicação é mostrar arrependimento. No final, encerra com a mensagem: “O Deus que consola os familiares das vítimas é o mesmo Deus que perdoa e não desiste da salvação de todos nós pecadores”.

G1 Goiás