Publicado em: qua, maio , 2017

Marconi Perillo (PSDB) admite ter recebido doações da Odebrecht


O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), afirmou, em entrevista coletiva nesta terça-feira (16), em Goiânia, que nunca recebeu qualquer dinheiro de caixa 2 da Odebrecht. No entanto, confirmou doações legais da empreiteira no valor de R$ 2,5 milhões, em 2010 e 2014, e apontou contradições nas declarações dos ex-executivos da empresa, que, por sua vez, alegaram que os montantes repassados ilegalmente chegaram a R$ 10 milhões.

“Não cometemos nenhum ato de corrupção e desvio. Acusações que, é bom repetir, sequer constam nos pedidos de investigação. Mais do que isso: não recebemos nenhuma doação ilegal ou de caixa 2 nas campanhas”, ressaltou Marconi.

Marconi admitiu ter procurado executivos da Odebrecht para que pudessem fornecer contribuições às campanhas políticas. “A Odebrecht era uma das maiores empresas do Brasil. Sempre fez doações a campanhas e era natural que, entre tantas empresas que procuramos para contribuir com nossa campanha, procurássemos também a Odebrecht”, afirmou.

O governador detalhou como a empreiteira fez doações lícitas para as campanhas eleitorais dele nos anos de 2010 e de 2014:

“No caso específico do Grupo Odebrecht, em 2010, eles contribuíram com nossa campanha, com um valor de R$ 300 mil, em doações legais, declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Depois, na eleição seguinte, em 2014, procuramos a construtora novamente em busca de contribuição para a campanha. As doações do Grupo somaram R$ 2 milhões e 200 mil. Também doações legais, dentro do que permitiam a legislação à época, declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral”, afirmou.

O político disse ainda que, apesar das doações recebidas, não tem qualquer ligação com a empresa e que não há nenhuma obra da companhia em Goiás. Porém, admitiu que se encontrou algumas vezes com ex-executivos da Odebrecht com o objetivo era poder contribuir para agilizar as obras do novo terminal de passageiros do Aeroporto de Goiânia.

“Quando procuramos a Odebrecht afirmamos, evidentemente, que gostaríamos de tê-los investindo em Goiás, ampliando seus investimentos na área de etanol, por exemplo, concluindo o novo Aeroporto de Goiânia, etc. Até então não se tinha absolutamente nenhuma notícia sobre o envolvimento do grupo nessas denúncias”, pontuou.

Contradições

Também na entrevista, Marconi apresentou vídeos com as delações dos ex-exceutivos Alexandre Barradas e Fernando Cunha e ressaltou que há divergências entre as afirmações de ambos, sobretudo no que diz respeito a valores que teriam sido repassados via caixa 2 para a campanha, apelidos atribuídos a ele e a questão de uma possível licitação da obra de saneamento no Entorno do DF.

“Se eles envolveram o meu nome, certamente com receio, o meu e de centenas de outros, alguns pode ser que com razão, outros não, certamente isso ocorreu por medo de ir para a cadeia. Mas eu não tenho a menor condição de saber o porquê eles usaram o meu nome. Eles próprios se contradisseram, afirmaram que não houve interesse algum, as coisas foram duras em Goiás, as licitações mais disputadas que tivemos, não havia nenhum tipo de contrapartida. Eles próprios disseram”, afirmou.

O tucano também negou ter pedido R$ 50 milhões à Odebrecht para sua campanha em 2014, como foi dito nas delações. “Esse é um fato absolutamente falso, desconectado da realidade, nem se eu fosse candidato à Presidência da República eu teria tamanha ousadia, que não encontra qualquer argumento na lógica e na verdade. Eu nunca tratei de valores específicos de doações de campanha com ninguém, nenhum proprietário ou executivo de empresa. Os depoimentos confirmam isso”, pontuou.

Saneago

O governador citou ainda as acusações de que a Odebrecht fez as doações à campanha com o objetivo de subdelegar obras de esgotos em Aparecida de Goiânia, Rio Verde, Jataí e Trindade. Marconi alega que a subdelegação começou em 2009, quando ele ainda não era governador e que a empresa venceu uma licitação com outras duas concorrentes.

“A subdelegação foi feita através de uma licitação, onde a vencedora, a Odebrecht, pagou um ágio de mais de trezentos por cento sobre o valor original. É importante se ater a esses dados. O valor pedido na licitação para a subdelegação era de 90 milhões. O lance da Odebrecht foi de 276 milhões, quase 186 milhões a mais. […] E, por último, de toda forma, os próprios executivos foram claros em dizer que nada houve de favorecimento do governo de Goiás, como mostram os vídeos das delações”, afirmou.

A respeito do saneamento no Entorno do Distrito Federal, Marconi também negou que as obras na região teriam sido oferecidos como contrapartida para as doações ilícitas à sua campanha.

“Os próprios vídeos divulgados mostram que não prometi absolutamente nada para a Odebrecht em relação a esse tema. Tanto é que, quando a possibilidade de subdelegação dessas obras no Entorno chegaram ao mercado, duas grandes empresas demonstraram interesse, e não apenas a Odebrecht”, pontuou.

Na época em que as delações foram divulgadas a Saneago informou, por meio de nota, que o “Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) foi lançado em 2014 para viabilizar recursos para obras de esgotamento sanitário na região do Entorno do Distrito Federal, num valor aproximado de R$ 300 milhões”.

Ao mesmo tempo, ainda conforme a Saneago, os recursos já haviam sido pleiteado junto ao Governo Federal. Diante disso, foi conseguiu o financiamento da Caixa Econômica Federal, via recursos do FGTS, para essas obras. Portanto, não houve a necessidade de se estabelecer as parcerias via PMI e o processo foi arquivado.

Processo

Por ordem do ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), os episódios que envolvem Marconi Perillo foram enviados ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), foro competente para julgar os chefes dos Executivos estaduais. No documento, consta a suspeita de que o tucano tenha recebido R$ 8 milhões para as campanhas de 2010 e 2014. Agora, caberá ao STJ analisar o pedido e autorizar o início das diligências solicitadas pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Do G1