Publicado em: dom, fev , 2017

Marconi nomeia Jalles Fontoura como presidente da Saneago


O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), anunciou em uma das suas redes sociais, nesta sexta-feira (3), que o novo presidente da Companhia de Saneamento de Goiás (Saneago) será o ex-prefeito de Goianésia, Jalles Fontoura de Siqueira. O engenheiro deve substituir o atual presidente da empresa, José Carlos Siqueira.

Na postagem, o governador afirma ainda que Jalles “tem credenciais” para presidir a empresa. Perillo cita ainda que o novo gestor da Saneago é engenheiro, foi deputado estadual e federal, empresário no ramo tecnológico e secretário estadual da fazenda. Ele ainda é filho do ex-governador do estado, Otávio Lage de Siqueira.

Saneago
O atual presidente da Saneago, José Carlos Siqueira, assumiu o cargo após a presidente interina, Marlene Alves de Carvalho e Vieira. Ele havia prometido maior transparência na empresa após o então presidente da Companhia, José Taveira Rocha, ser preso durante a Operação Decantação da Polícia Federal.

A Operação aconteceu no dia 24 de agosto do ano passado e investigou desvio de R$ 4,5 milhões para o pagamento de propina e dívidas de campanhas políticas, em Goiânia. No dia, 14 pessoas foram presas, entre elas, também estava o então presidente do PSDB em Goiás, Afrêni Gonçalves.

Segundo as investigações, verbas federais desviadas da Saneago foram usadas para pagar campanhas políticas, propinas a servidores do órgão e até uma Organização Social (OS) na área da saúde.

Dos 14 presos, quatro já deixaram o presídio. Entre eles estão ex-presidente da Saneago José Taveira Rocha, e o diretor de Expansão do órgão e presidente do PSDB em Goiás, Afrêni Gonçalves. A soltura ocorreu após o prazo da prisão temporária, de cinco dias, expirar.

Investigação
Ao todo, foram cumpridos 120 mandados judiciais em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Formosa e Itumbiara, em Goiás, além de São Paulo e Florianópolis (SC). Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido na sede do diretório estadual do PSDB.

“A busca foi para ter provas que liguem o partido ao recebimento de dinheiro da Saneago para o pagamento de dívidas de campanhas políticas em 2014. O diretor regional do partido está vinculado à Saneago, é diretor de expansão do órgão”, disse, na época, o delegado responsável pelo caso, Rodrigo Teixeira.

A Polícia Federal informou que a Saneago contratou uma empresa de assessoria, que fazia licitações de forma a direcionar o resultado da seleção para que as vencedoras fossem as empresas participantes da fraude.

Em troca, as companhias repassavam dinheiro em forma de propina, pagamento de dívidas de campanhas, repasse para OS e até coquetéis feitos dentro do palácio do governo em nome do órgão.

O advogado do presidente regional do PSDB, Afrêni Gonçalves Leite, disse que o seu cliente  está contribuindo com as investigações e que ele  nega  qualquer acusação de  que tenha usado o cargo  para obter vantagens para o partido.

O PSDB disse que confia na idoneidade de Afrêni e que tem contribuído com as investigações. O partido afirmou ainda que todas as doações de campanha do partido são legais e foram devidamente declaradas à Justiça Eleitoral, que aprovou a prestação de contas do partido.

Escutas telefônicas
Interceptações telefônicas feitas com autorização da Justiça durante a Operação Decantação, obtidas pela TV Anhanguera, mostram que dívidas de campanhas eleitorais foram pagas com verba da Saneago. O governador Marconi Perillo (PSDB) é citado em alguns diálogos.

Na época, o governador afirmou que não está sendo acusado de nada e que não há “um centavo” que possa estabelecer “qualquer nexo” entre o Governo de Goiás, a campanha do PSDB e recursos Saneago.

Do G1 Goiás