Publicado em: seg, jun , 2017

Candidata de Temer ao cargo de Janot faz defesa contundente da Lava Jato

A subprocuradora-geral da República Raquel Dodge, que está entre os oito candidatos a substituir o atual chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República), Rodrigo Janot, afirmou, nesta segunda-feira (19), que a Operação Lava Jato e os esforços no combate à corrupção fazem parte de um “momento ímpar” no país. A pleiteante à Lista Tríplice defendeu de forma contundente a continuidade das investigações e disse que ninguém “está acima ou abaixo” da lei, em referência a políticos suspeitos de corrupção.

As declarações de Raquel foram dadas na abertura do 5º debate com os concorrentes ao cargo de procurador-geral da República, realizado no Rio de Janeiro. O vencedor do pleito assumirá a função por dois anos, a partir de setembro, quando se encerrará o mandato de Janot. Também participaram do encontro: Nicolao Dino, Carlos Frederico Santos, Eitel Santiago, Ela Wiecko, Franklin da Costa, Sandra Cureau e Mário Bonsaglia.
 
Segundo reportagem do jornal “O Globo”, Raquel é a favorita de importantes aliados do presidente Michel Temer (PMDB) para assumir o comando da PGR. Notícias veiculadas nos últimos dias especulam, por outro lado, que Temer estaria propenso a indicar Mário Bonsaglia. A eleição está marcada para 27 de junho.
 
Raquel também disse que pretende manter no cargo todos os procuradores que vêm atuando na matriz da Lava Jato e nas forças-tarefa regionais. Na avaliação da subprocuradora, as investigações conquistaram o apoio dos brasileiros porque apresentam resultados concretos. Além disso, transcorreram com celeridade e fomentaram a noção de que “a lei deve ser aplicada para todos”, afirmou a candidata.
Se for indicada por Temer ao fim do processo de escolha da Lista Tríplice, Raquel seria a primeira mulher a chefiar a Procuradoria.
 
Durante o debate, um dos oponentes de Rachel, o subprocurador-geral Eitel Santiago mencionou a reportagem que indicou suposta preferência por ela entre os aliados do presidente. Sobre os recentes atritos entre os Poderes, ele criticou o que chamou de lógica do “quanto pior, melhor”. A fala de Eitel provocou uma saia justa, e Rachel voltou a abordar o assunto posteriormente. A candidata afirmou nunca ter feito contato com autoridades próximas a Temer com objetivo de pedir apoio.
 
Outro momento acalorado do debate se deu quando o subprocurador Nicolao Dino disparou contra o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes, que, pela manhã, havia criticado o andamento de investigações em curso no país. “Investigação sim, abuso não. Não se combate crime, cometendo outro crime. E é preciso que a sociedade diga isso de maneira clara. Estado de direito não comporta soberanos. Todos estão submetidos à lei”, declarou Mendes.
 
Na visão de Dino, as palavras do integrante da Suprema Corte são um “desserviço” para o Brasil, pois desqualificam o trabalho do Ministério Público Federal, sobretudo no âmbito da Operação Lava Jato.
 

Como funciona?

Em 27 de junho, mais de 1.200 integrantes do MPF (Ministério Público Federal) votarão em três dos oito candidatos e formarão uma Lista Tríplice, indicados a Michel Temer, a quem cabe a decisão final. Tradicionalmente, o presidente da República escolhe o mais votado entre os pleiteantes selecionados no sufrágio do MPF para o mandato de dois anos.
 
Especula-se, no entanto, que Temer estaria inclinado a quebrar a tradição dos últimos 14 anos e optar por um candidato fora da Lista Tríplice. A decisão poderá impactar nos rumos da política nacional, pois a PGR está no epicentro das investigações e dos processos judiciais que tramitam no âmbito da Operação Lava Jato.
UOL

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