Publicado em: seg, mar , 2017

Agricultura fiscaliza dois frigoríficos investigados na ‘Carne Fraca’ em GO


O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) realiza nesta segunda-feira (20) uma inspeção em 21 frigoríficos do país que são investigados na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. Em Goiás, a ação ocorreu em dois estabelecimentos, sendo um da BRF – Brasil Foods, em Mineiros, na região sudoeste, e o outro da Primor Beef – JJZ Alimentos, em Goianira, na Região Metropolitana da capital.

Durante a operação da PF, na última sexta-feira (17), os dois frigoríficos foram alvos de mandados de busca e apreensão, suspeitos de envolvimento na venda ilegal de carnes. Ainda na semana passada, o Ministério da Agricultura determinou a interdição da unidade da BRF em Mineiros. Já a unidade da JJZ Alimentos, em Goianira, segue funcionando normalmente.

Em nota, a BRF informou que o frigorífico em Mineiros foi interditado pelo Mapa, de forma preventiva, até que a empresa passe informações sobre a segurança e a qualidade dos produtos.

Já o diretor presidente da JJZ Alimentos, Jorge Jonas Abrockis, falou em entrevista à TV Anhanguera que o frigorífico não sofreu qualquer tipo de bloqueio desde o início da operação da PF.

“A Polícia Federal foi especificamente no Serviço de Inspeção Federal, o SIF, que fica dentro da empresa, mas ela é coordenada pelo Ministério da Agricultura. Isso em função de um funcionário público, que está com suspeita de corrupção. Então, em momento nenhum, a Polícia Federal fez um bloqueio na empresa, nem mesmo de um produto, de atividade, nada. Então, estamos com todas as atividades normais”, afirmou.

O funcionário investigado é o auditor fiscal federal agropecuário lotado no Serviço de Inspeção e Produtos de Origem Animal (Sipoa/GO), Francisco Carlos de Assis, que foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na Polícia Federal.

O G1 e a TV Anhanguera buscam contato com a defesa de Francisco.

Carne podre
Fiscal do Mapa que denunciou o esquema, Daniel Gouveia Teixeira diz que os frigoríficos usavam cabeças de suínos e um produto químico conhecido como ácido ascórbico como um truque para “maquiar” a qualidade. “Ele é misturado na massa dos produtos para poder diminuir a infecção bacteriana e mascarar os odores e as características de carne podre”, afirmou.

O Mapa destacou, em nota, que o uso do ácido e de cabeça de suínos não é proibido, desde que estejam dentro das normas estabelecidas pelo ministério.

Já o Sindicato das Indústrias da Carne e Derivados do Estado de Goiás (Sindicarne) garante que, apesar das suspeitas de irregularidades na liberação de licenças e fiscalização irregular de frigoríficos, a carne produzida no estado é de boa qualidade.

“Como é que uma indústria vai produzir uma carne moída misturada com papelão? Qual a diferença do músculo da cabeça do porco com a paleta, ou do lombo? Todas são carnes e têm a mesma quantidade de proteínas. Posso dizer ao consumidor goiano que a carne de Goiás é de primeira qualidade, é a melhor produzida no Brasil”, destacou o presidente do Sindicarne, José Magno Pato.

O diretor da Vigilância Sanitária de Goiânia, Dagoberto Costa, afirmou que, caso necessário, o órgão está preparado para intensificar a fiscalização nos frigoríficos goianos. “Se houver um recall da carne, nós teremos equipes reforçadas para fazer essa fiscalização. Então, realmente, nós estamos no aguardo de mais informações sobre o assunto”, disse.

G1 GO